Evidências Bíblicas Tabletes Cuneiformes e a História da Escrita na Mesopotâmia
Estamos novamente juntos no programa Evidências, um espaço dedicado à análise histórica e arqueológica de acontecimentos relacionados à Bíblia Sagrada. Nesta série especial, gravada nos Estados Unidos, visitamos o Museu Siegfried Horn de Arqueologia Bíblica, localizado na Universidade Andrews, uma instituição reconhecida por sua contribuição acadêmica na área da arqueologia do Oriente Médio.
No episódio de hoje, apresentamos uma das coleções mais valiosas do museu: um acervo considerado um verdadeiro tesouro arqueológico.
- Uma das Maiores Coleções de Tabletes Cuneiformes da América do Norte
- O Que é a Escrita Cuneiforme
- Leis Antigas e Paralelos Bíblicos
- A Origem e Evolução da Escrita Humana
- Documentos do Cotidiano da Antiguidade
- Preservação e Estudo dos Tabletes
- Inscrições Históricas e Personagens Bíblicos
- O Tablete Adventista e a Lista dos Reis Assírios
- Nabonido, Belsazar e o Contexto do Livro de Daniel
- Politeísmo na Mesopotâmia Antiga
- Artefatos de Ur e da Babilônia
- Considerações Finais
Uma das Maiores Coleções de Tabletes Cuneiformes da América do Norte
O museu abriga uma das maiores coleções de tabletes cuneiformes da América do Norte. Esses artefatos incluem cartas, recibos, registros administrativos, exercícios escolares e textos legais escritos há mais de 5.000 anos. Muitos deles são datados do período dos patriarcas bíblicos, como a época de Abraão.
Esses tabletes são documentos originais e constituem uma fonte primária essencial para o estudo da história antiga, da linguagem e da organização social da Mesopotâmia.
O Que é a Escrita Cuneiforme
A escrita cuneiforme recebeu esse nome devido ao formato em cunha de seus caracteres, produzidos ao pressionar um estilete sobre placas de argila ainda úmidas. Após a escrita, essas placas eram secas ao sol ou queimadas em fornos.
Um dos exemplos mais conhecidos desse tipo de escrita é o Código de Hamurábi, datado do século XVIII antes de Cristo. Trata-se de um conjunto de leis que regulava aspectos sociais, econômicos e jurídicos da antiga Mesopotâmia.
Leis Antigas e Paralelos Bíblicos

Algumas leis registradas no Código de Hamurábi apresentam princípios semelhantes aos encontrados na legislação mosaica. Um exemplo é o conceito de proporcionalidade nas punições, conhecido popularmente pela expressão “olho por olho, dente por dente”.
No contexto mesopotâmico, essa regra tinha o objetivo de limitar vinganças excessivas e evitar conflitos intermináveis entre famílias. Já no contexto bíblico, especialmente ao longo do Novo Testamento, esse princípio recebe uma interpretação ética mais ampla.
A Origem e Evolução da Escrita Humana
A escrita surgiu inicialmente por meio de ideogramas, desenhos simples que representavam objetos ou ações. Com o passar do tempo, esses símbolos evoluíram para formas mais abstratas, passando a representar sons.
Foi na antiga Mesopotâmia, por volta do terceiro milênio antes de Cristo, que os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme de forma sistemática. Graças a esses registros, foi possível preservar informações administrativas, econômicas, políticas e religiosas por gerações.
Documentos do Cotidiano da Antiguidade
O acervo do museu contém centenas de tabletes organizados em gavetas especiais. Entre eles, encontram-se leis públicas, contratos comerciais, recibos de oferendas religiosas e exercícios escolares.
Alguns tabletes mostram textos copiados por estudantes, revelando como funcionava o processo educacional na antiguidade. Esses registros ajudam a compreender o nível de organização social existente muito antes da era moderna.
Preservação e Estudo dos Tabletes
Por serem extremamente frágeis, os tabletes originais não são manipulados diretamente. Para estudo e divulgação, o museu utiliza cópias detalhadas e publicações acadêmicas especializadas.
Esses livros apresentam desenhos precisos dos tabletes, transliterações para o alfabeto moderno e traduções comentadas. Também incluem índices linguísticos que permitem análises aprofundadas da cultura e da linguagem da época.
Inscrições Históricas e Personagens Bíblicos
Em outra galeria do museu, há cópias de importantes inscrições históricas, como a que retrata o rei assírio Salmaneser III recebendo tributo de Jeú, rei de Israel. Essa descoberta é frequentemente citada em estudos acadêmicos por confirmar a existência histórica de personagens mencionados na Bíblia.
O Tablete Adventista e a Lista dos Reis Assírios
Entre os artefatos mais relevantes do acervo está o chamado Tablete Adventista, que contém uma lista de reis assírios. Esse material foi estudado e publicado por pesquisadores ligados à Universidade Andrews em parceria com instituições acadêmicas internacionais.
O original encontra-se atualmente no Museu de Bagdá, enquanto uma cópia permanece exposta no museu, destacando a contribuição científica de pesquisadores adventistas para a arqueologia bíblica.
Nabonido, Belsazar e o Contexto do Livro de Daniel
As Crônicas de Nabonido são outro exemplo de como a arqueologia contribui para o entendimento histórico do texto bíblico. Esses registros indicam que Belsazar, mencionado no livro de Daniel, atuava como corregente da Babilônia enquanto Nabonido estava ausente.
Essa informação ajuda a esclarecer detalhes administrativos do período e demonstra a complexidade política da época.
Politeísmo na Mesopotâmia Antiga
Os tabletes também revelam a presença de um forte politeísmo na Mesopotâmia. Cada cidade possuía divindades específicas, e muitos aspectos da vida civil estavam ligados a práticas religiosas locais.
Esse contexto histórico ajuda a compreender o ambiente cultural em que viveu Abraão e o significado de seu deslocamento de Ur dos Caldeus para outras regiões, conforme descrito nos relatos bíblicos.
Artefatos de Ur e da Babilônia
O museu também preserva vasos, tijolos de argila e estátuas provenientes de Ur dos Caldeus e da Babilônia. Alguns desses artefatos contêm inscrições e nomes de governantes mencionados tanto em registros históricos quanto em textos bíblicos.
Esses objetos permitem visualizar de forma concreta o mundo descrito nas Escrituras, aproximando o leitor do contexto histórico dos relatos.
Considerações Finais
O estudo da arqueologia bíblica oferece uma contribuição significativa para a compreensão histórica da Bíblia. Os artefatos apresentados no Museu Siegfried Horn ajudam a contextualizar os textos sagrados, demonstrando a riqueza cultural e histórica do mundo antigo.
Mais do que confirmar dados históricos, essas descobertas convidam à reflexão sobre a relação entre fé, história e cultura ao longo da trajetória humana. EVIDENCIAS COM RODRIGO SILVA

