Reação do pastor Arilton oliveira sobre o sábado

Tom Santos
6 Min Read

Parcialidade, Não: O Que Me Convém?

O Novo Testamento Aboliu o Antigo?

Uma dúvida muito comum entre cristãos é se o Novo Testamento anulou completamente o Antigo Testamento. Frases como “isso é do Velho Testamento” ou “isso não vale mais hoje” são frequentemente usadas para justificar determinadas crenças ou práticas. Mas será que essa interpretação é realmente bíblica?

Neste artigo, vamos analisar esse tema com equilíbrio, coerência e base nas Escrituras.

A Confusão Entre Antigo e Novo Testamento

Reação do pastor Arilton oliveira sobre o sábado
Reação do pastor Arilton oliveira sobre o sábado

Muitas pessoas afirmam que tudo o que está no Antigo Testamento perdeu a validade. Em debates e programas religiosos, já se ouviu inclusive participantes afirmarem isso com tanta convicção que chegaram a causar impaciência em outros presentes.

Mas a pergunta central é: o Novo Testamento realmente aboliu o Antigo?

Jesus responde claramente em Mateus 5:17:

“Não penseis que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.”

A expressão “Lei e Profetas” era usada para se referir a todo o Antigo Testamento. Portanto, ao parafrasear esse texto, Jesus está dizendo que não veio abolir Moisés nem os profetas.

A Lei Cerimonial e a Lei Moral

Um dos grandes erros de interpretação é confundir lei cerimonial com todo o Antigo Testamento.

Tipos de leis na Bíblia

Na Bíblia, encontramos pelo menos cinco tipos de leis:

1. Lei Moral

Representada pelos Dez Mandamentos, é eterna e válida para toda a humanidade.

2. Lei Cerimonial

Relacionada a sacrifícios, rituais e símbolos que apontavam para Cristo.

3. Leis Civis

Aplicáveis à organização social de Israel, como penalidades e restituições.

4. Leis de Higiene

Orientações específicas para o povo durante o período no deserto.

5. Leis Administrativas

Direcionadas à vida prática do povo de Israel em determinado contexto histórico.

Essas leis cerimoniais e civis tinham aplicação local e temporal, enquanto a lei moral tem caráter universal.

A Coerência Bíblica e o Dízimo

Um exemplo claro de incoerência é quando alguém afirma que o Antigo Testamento foi abolido, mas continua ensinando o dízimo — que é fundamentado justamente nele.

Surge então a pergunta:

Usamos o Antigo Testamento quando nos convém e descartamos quando não nos convém?

A Bíblia exige coerência. Não se trata de conveniência pessoal, mas de fidelidade às Escrituras.

“Olho por Olho, Dente por Dente”

A chamada Lei de Talião não representa toda a lei bíblica, mas uma legislação específica aplicada ao povo de Israel em determinado contexto histórico. Ela fazia parte das leis civis, não da lei moral.

Portanto, não se pode usar esse texto para afirmar que todo o Antigo Testamento foi abolido.

O Sétimo Mandamento e a Moralidade

Alguns argumentam que certos pecados não são mencionados explicitamente nos Dez Mandamentos. Um exemplo comum é a fornicação.

A Bíblia ensina que:

  • Adultério envolve pessoas casadas.
  • Fornicação refere-se à relação sexual fora do casamento entre solteiros.

Ambos são condenados, pois o sétimo mandamento protege a pureza sexual de forma ampla, não limitada apenas ao casamento formal.

Os Dez Mandamentos no Novo Testamento

Há quem diga que no Novo Testamento existem apenas dois mandamentos: amar a Deus e ao próximo. No entanto, esses dois são o resumo dos Dez Mandamentos, não a substituição deles.

O próprio Cristo cita vários mandamentos ao dialogar com o jovem rico:

  • Não matarás
  • Não adulterarás
  • Não furtarás
  • Honra teu pai e tua mãe

Isso demonstra que os mandamentos continuam válidos.

Circuncisão: Um Exemplo de Mudança Bíblica

A circuncisão foi uma lei dada a Abraão e praticada até o tempo de Cristo. No Novo Testamento, a Bíblia deixa claro que ela não é mais obrigatória, pois cumpriu seu propósito simbólico.

Essa mudança não ocorreu por conveniência humana, mas por orientação bíblica clara.

A Importância de Deixar a Bíblia Decidir

O grande perigo está em permitir que cada pessoa decida o que é válido ou não com base na própria opinião. Isso torna a fé subjetiva e frágil.

A Bíblia deve interpretar a própria Bíblia. Onde ela afirma que algo foi cumprido, nós aceitamos. Onde ela reafirma princípios eternos, nós obedecemos.

Conclusão

O Antigo Testamento não foi abolido, mas deve ser compreendido corretamente à luz do Novo Testamento. As leis cerimoniais foram cumpridas em Cristo, enquanto a lei moral permanece válida, eterna e universal.

Não se trata de escolher o que convém, mas de permitir que a Palavra de Deus seja a autoridade final. Quando seguimos esse princípio, evitamos interpretações parciais e construímos uma fé sólida, bíblica e coerente.

 

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